Crianças, brinquedos e carinho


Dois dias após a comemoração da festa natalina, eu tive a felicidade de fazer uma visita ao Orfanato Romao Duarte, no Rio de Janeiro.

Era uma festa de natal para as 50 crianças que moram no local, com idades de zero a 9 anos, organizada por um professor de matemática do Colégio Pedro II. Fui com o intuito de fotografar e ajudar na organização e distribuição dos presentes para as crianças, mas no final, quem ganhou mais presentes fui eu. 

Mas quando eu digo sobre os presentes que ganhei, não foram as fotografias que pude fazer, e nem dos docinhos de que tive que comer para provar a algumas crianças de que eles eram gostosos de verdade. Falo dos abraços, beijos, apertões e tapas que levei de algumas crianças durante as brincadeiras do dia 27. 

Deixadas para trás pelas pessoas em que eles mais deveriam contar na vida, ao lado de alguns amigos, pudemos neste dia dar um pouco de alegria e carinho para estas crianças que pouco conhecem o significado destas palavras.

Uma pena não poder mostrar o bercário, onde ficam as crianças abaixo de um ano de idade, e que infelizmente, possuia muitos de seus berços ocupados.

Abaixo falo de um rapazinho em especial que mexeu comigo neste dia, espero em breve poder retornar ao Romao Duarte para poder entregar algumas fotos impressas às crianças.
















Para esta foto em especial, no dia em que visitei o orfanato eu fiz uma publicação na minha página do facebook e que, para minha feliz surpresa, chocou e tocou um grande público.


- Qual o seu nome?
- Rafael.

Hoje conheci Rafael, hóspede do Orfanato Romão Duarte.

Brincalhão,
chorão,
dengoso,
gosta de cacunda. 
Confesso que ele cansou meus ombros.

- Quantos anos você tem?
- Seis.
- A quanto tempo você está aqui?
- Não sei.

A cerca de um ano foi deixado no orfanato pela sua mãe, e pelo que me disse, seus dois pais. Não gosta que peguem coisas dele, e chorou quando não conseguiu achar seu pacote de balas.

Não queria presentes, ganhou um avião e um carrinho que deixou de lado. Queria brincar, correr, abraçar e ser abraçado. Sentei no chão para descansar e ele veio atrás, se enfiou no meio das minhas pernas e lá se acomodou, pediu para brincar com a câmera e quis ver as fotos que tirei.

Sem medo coloquei ela nas mãos dele e deixei que levasse e mostrasse aos seus colegas as fotos que bati. Alegre, depois brincou de fotógrafo. 

Me pegou pela mão e não queria soltar, e nem eu.

Foi triste dar tchau, mas triste mesmo é saber que, com essa idade, as chances dele achar um lar são bem baixas, crianças acima dos 5 anos vão de instituição em instituição e raramente acham um lar. 

Gostaria de conhecer mais Rafael, vê-lo crescer e se tornar homem, arranjar um emprego e ser bem-sucedido na vida. 

Conhecer um pouco de cor, nessa vida em preto e branco que vive.